10 LUGARES para observar aves em RR

Oiê! Antes da leitura desse post sugiro a leitura do post que publiquei anteriormente. Clique aqui para leitura.

Já falei no post anterior que Roraima é um dos Estados que tem um dos maiores registros e catalogação de aves do país, o seguimento de turismo de Observação de Aves só vem crescendo a cada ano, e Roraima, é referência internacional nessa modalidade. Com isso, o SEBRAE/RR e alguns empresários do trade turístico de Roraima irão realizar o Workshop de Observação de Aves que tem como objetivo disseminar práticas e métodos de observação de pássaros, com foco na fauna roraimense, dando ênfase ao desenvolvimento gerado por este nicho de mercado ao empreendedorismo local.

Mas antes de falar do evento, vamos conhecer agora quais são os 10 lugares em Roraima que você pode observar esse fauna exuberante. Lembrando que tem mais de 10!

1 –  Amajari/RR

 Vila do Tepequém

Pássaros chave: mariquita-de-rabo-vermelho, mariquita-de-perna-clara, picapauzinho-ondulado, japu-verde, gralhas-violácea, tem-tem-de-dragona-vermelha e trombeteiro.

Imagem: Makunaima Expedições.

Entre os vários destinos para os amantes de aves em Roraima, a Serra do Tepequém é um dos mais interessantes pois possui relevo montanhoso em meio a toda planura do restante do Estado o que resulta no grande número de aves raras que podem ser avistadas por lá. A vila hoje dispõe de uma boa infraestrutura turística para receber seus visitantes, e pouco a pouco vem se especializando em receber observadores de aves. Nas imediações da via é possível ver os belíssimos japu-verde (Psarocolius viridis), gralhas-violáceas (cyanocorax violaceus), o tem-tem-de-dragona-vermelha (tachyphonus phoenicius), algumas mariquitas migratórias como a mariquita-de-rabo-vermelho (Setophaga ruticilla), mariquita-de-perna-clara (Setophaga striata), o picapauzinho-ondulado (Picumnus undulatus), o pula-pula-da-guiana (Myiothlypis mesoleuca), entre tantas outras espécies de sanhaçus, beija-flores, saíras e araras. De fato, é uma boa opção para a observação de aves. A vila fica a aproximadamente 200km de Boa Vista, valendo a pena ao observador aproveitar também a estrada e o deslocamento para tentar alguns bichos como o trombeteiro (Cercibis oxycerca), Pedro-ceroulo (Sturnela magna), caboclinho-lindo (Sporophila minuta) e uru-do-campo (Colinus cristatus).

 2 – Matas de Galeria dos Rios Uraricoera e Amajari/RR

 Pássaros chave: João-de-barba-grisalha, Ferreirinho-da-capoeira, Lavadeira-do-norte.

Imagem: Makunaima Expedições.

Ao se deslocar para o Tepequém é primordial uma parada nas matas de galeria dos rios Uraricoera e Amajari. Florestas ou matas de galeria são florestas que formam corredores ao longo dos rios e áreas úmidas e se projetam na paisagem, tornando-se esparsas em áreas de savanas, pradarias e desertos.

Esse tipo de vegetação existe em áreas que não suportam florestas de terra firme por uma série de razões: o tipo de solo, a umidade, etc. Zonas ripárias oferecem proteção ao fogo e estresse por escassez de água. Ademais, solos de aluvião oferecem grande fertilidade e melhor drenagem, tal como maior aporte de água. Como resultado, a fronteira entre a floresta de galeria e as áreas abertas ao redor é bem marcada e abrupta, com o ecótono tendo apenas alguns metros de largura. Com isso algumas aves da região são encontradas nesse ambiente.

3 – Lagoas e Savanas da RR-203

Pássaros chave: Pedro-ceroulo; Trombeteiro, Graça-branca-grande, Trombeteiro.

 

Imagem: Makunaima Expedições.

Nesses ambientes é possível encontrar algumas aves interessantes, principalmente no período de verão, que esses lagos estão secando e as aves fazem um verdadeiro banquete. Além disso as savanas de Roraima são lares de aves conhecidas e desejadas de serem avistadas na região.

 4- Floresta tropical de encosta

 Pássaros chave:: Rabo-branco-cinza, Picapauzinho-ondulado, Capitão-de-fronte-dourada, Japu-verde

Imagem: Makunaima Expedições.

Também chamada floresta ombrófila densa, (da junção dos termos gregos ómbros, “chuva” e phílos, “amigo”) é um tipo de floresta tropical e pluvial. É a maior representante da diversidade biológica evoluída. Diante de todos os outros biomas ela se sobressai por sua riqueza de recursos.

 Aqui destacamos a subida para a serra do Tepequém, matas que se encontram na borda da estrada. Aves específicas desse ambiente podem ser avistadas nesse local.

5 – Áreas abertas do Tepequém 

 Pássaros chave: Beija-flor-de-barriga-verde, Tem-tem-de-dragona-vermelha, Sanhaçu-de-coleira, Gaturamo-capim

Imagem: Makunaima Expedições.

 Nesses ambientes de savana já no meio da serra do Tepequém é possível ao observador encontrar alguns dos beija-flores da região, além de outras aves. É importante ao observador buscar ambientes que consiga notar a presença de arvores frutíferas, sementes e água. Itens essenciais para vida das aves.

 6 – Matas ciliares do igarapé do Paiva e Barata 

 Pássaros chave: Rabo-branco-cinza-caro, Uirapuru-cigarra, Choca-bate-cabo, Gralha-violácea

Imagem: Makunaima Expedições.

Assim como as matas ciliares dos rios Uraricoera e Amajari são um ecotono importante da região, já no topo da serra do Tepequém não seria diferente. Nestes ambientes o observador deve estar de ouvido bem atento. É sempre possível fazer novas descobertas. Estes ambientes proporcionam uma vida rica na região.

 7 – Boa Vista/RR

Rio Branco em Boa Vista

Pássaros chave: Pica-pau-anão-de-pescoço-branco, chororó-do-rio-branco, gaturamo-capim, periquito-de-bochecha-parda, choca-de-crista-preta, garrincha-dos-lhanos, arapaçu-listrado, jandaia-amarela

Imagem: Makunaima Expedições.

Uma excelente maneira de começar uma viagem a Roraima é com uma passarinhada nas margens do Rio Branco e Cauamé. A capital do Estado Boa Vista fica na margem direita desse rio de “água branca” (pela quantidade de sedimento carreado) que flui rapidamente. Como uma sugestão de passarinhada vamos visitar uma área de mata de galeria, onde será possível explorar algumas áreas de transição entre a margem do rio e as savanas, além, de bosques e capoeiras de mata. Nestes locais já começamos com alguns dos bichos interessantes da região, como o pica-pau-anão-de-pescoço-branco (Picumnus spilogaster) Gaturamo-capim (Euphonia finschi), Chororó-do-rio-branco (Cercomacra carbonária), além de garças, papagaios e periquitos e outros pequenos formigueiros. A vida nesse tipo de ambiente pode ser muito rica e divertir muito o observador de aves, periquito-de-bochecha-parda (Eupsittula pertinax) passam em bandos enquanto passarinhamos choca-de-crista-preta (Sakesphorus canadenses), balança-rabo-de-chapéu-preto (Polioptila plúmbea), saíra-de-chapéu-preto (Nemosia pileata) são algumas das aves sempre presentes.

Partindo dali temos o Parque Anauá, local onde podemos ter chances de visualizar garrincha-dos-lhanos (Campylorhynchus griséus) juntamente com sabiá-da-praia (Mimus gilvus), joão-pinto-amarelo (Icterus nigrogularis) e sabia-do-barranco (Turdus leucomelas), mariquita-amarela e com um pouco mais de insistência conseguimos ali visualizar o arapaçu-listrado (Lepidocolaptes souleyetii).

 8 – Cantá/RR

 Serra Grande 

Pássaros chave: uru-do-campo, formigueiro-de-barriga-branca, caboclinho-lindo, gralha-da-guiana, caga-sebinho-de-penacho, arapaçu-de-listras-brancas.

Imagem: Makunaima Expedições.

Serra Grande é uma cadeia de colinas isoladas visíveis de Boa Vista ao longo da margem esquerda do Rio Branco. A área é bem conhecida entre os caminhantes locais, pois há algumas trilhas e o trekking no local é uma opção turistas tradicionais, assim como uma boa opção para a observação de pássaros nas estradas que dão aceso ao local, a maioria são de terra e tranquila, pois há pouco movimento. O local está localizado a apenas 1h30m de Boa Vista, e se a estrada não estivesse cheia de buracos, provavelmente levaria apenas uma hora ou menos. O habitat aqui é de floresta secundária, em boa parte, não alterada, ao longo da estrada, e há muito pouco tráfego bom para observação e excelente para gravadores de som.  No local é possível observar gralha-da-guiana, formigueiro-de-barriga-branca, papagaios, arapaçus, entre outros bichos.

 9- Parque Nacional do Viruá e Caracaraí/RR 

Pássaros chave: formigueiro-de-yapacana, choquinha-de-peito-riscado, guaracava-de-topete-vermelho, cantador-da-guiana, formigueiro-de-hellmayr, papa-capim-de-coleira.

Imagem: Makunaima Expedições.

O Parque Nacional Viruá está localizado no município de Caracaraí, no centro-sul de Roraima. O Parque abrange uma área de pouco menos de 216 000 hectares e abriga uma impressionante variedade de habitats incluindo campinas abertas, campinaranas, floresta, floresta alta de terra firme e Várzeas que se estende ao longo do Rio Branco. Algumas áreas do parque são acessadas facilmente (É necessária uma autorização IBAMA / ICMBio) da BR-174 ao sul de Caracaraí, onde pode-se chegar a Estrada Perdida. Esta é uma pavimentação de piçarra elevada que foi construída como parte da estrada principal entre Boa Vista e Manaus, foi abandonada durante a construção quando os engenheiros que a construíram perceberam que estavam construindo rumo a um enorme pântano. A estrada se estende por muitos quilômetros até as campinas e campinaranas, mas depois de uma distância curta, os veículos são impedidos pelos primeiros bueiros rompidos por aguas das margens da estrada.  Na estação seca, pode-se facilmente ignorar estes obstáculos a pé, mas quando as valas estão cheias na estação úmida, você deve estar preparado para andar na água que pode chegar ao peito altura ou superior. O caminho mais seco é organizar com a equipe do parque (você precisa estar acompanhado por um funcionário do parque durante sua visita) para trazer um pequeno barco inflável para atravessar o primeiro bueiro.

Inúmeros beija-flores podem ser avistados ao longo da estrada e dos arbustos floridos, assim como a choquinha-de-peito-riscado e guaracava-de-topete-vermelho. Há chance também de avistar o anambé-pompador, pretinho e o papa-capim-de-coleira. Saindo um pouco da estrada perdida e caminhando rumo a campinaranas é onde tentamos encontrar o formigueiro-de-yapacana, geralmente em pequenas capoeiras de mata do local.

A estrada de acesso para a sede do parque segue através de campinaranas e areia branca para florestas, aqui a passarinhada é muito boa, já que diversas aves de terra firme são encontradas ao longo da estrada, com destaque para o mutum-poranga e jacamim-de-costa-cinzentas, e alguns formigueiros, há também algumas trilhas mais fechadas que podem ser bem proveitosas para a observação de aves, além de boas chances de avistar outros mamíferos.

 10- Pacaraima/RR

Aves chave: cabeça-de-ouro, tangará-riscado, surucuá-mascarado, saíra-negaça, chororó-escuro

Imagem: Makunaima Expedições.

Pacaraima é a cidade fronteiriça brasileira na fronteira com a Venezuela na margem sul da Gran Sabana. Aqui há possibilidades de encontrar algumas áreas de floresta que possivelmente possa aparecer algumas aves endêmicas do pan-tepui. Há algumas áreas bem interessantes na borda com as matas da fazenda Trigenros e a trilha do Miang, esta segunda havendo algumas restrições de visitação por ser área indígena, mas pela falta de controle é possível passarinhar tranquilamente. Este local possui grande umidade e há sempre diversos bichos pelo local, como o cabeça-de-ouro (Ceratopipra erythrocephala), tangará-riscado (Machaeropterus striolatus), surucuá-mascarado (Trogon personatus), saíra-negaça (Tangara punctata), chororó-escuro (Cercomacroides tyrannina) e outros mais, vale a pena explorar o local, poiucos os registros da área.

 

Para realizar esse evento, o local escolhido foi a Serra do Tepequém no município do Amajari/RR, já que é um dos locais com maior  densidade de fauna, com a infraestrutura básica para atender aos turistas e observadores que procuram Roraima para este tipo de atividade. O evento será na Serra, nos dias 23 e 24 de novembro e as inscrições são gratuitas. Clique aqui para ver a programação e fazer as inscrições.

Observação de aves em Roraima

Corpo do texto: Francisco Diniz

 

 

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Para fazer turismo de observação de aves, basta acessar: Makunaima Expedições

 

 

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